Uma Realidade Bidimensional

Rafael Sica nasceu ao pôr do sol. Em setembro de 2001. Digo isso porque eu estava lá. Acompanhei o processo. Ele cresceu escondido. Teve uma infância. E como a maioria das pessoas humanas, ele morreu. Porém, havia algo extremo ocorrendo no vasto mundo real. E na imensidão das emoções também, e insights e todas essas coisas.

- Intervalo 1 - 

Agora vamos imaginar um corpo. Refiro-me a um corpo composto de moléculas e células, um constructo 100% humano. Não um simulacro. Este corpo possui aparatos sensoriais e psíquicos, e outros. Ou não, quem sabe. Tudo o que importa é que Rafael Sica reestruturou-se nesse corpo, e nele tudo era ambíguo.

E imanente.

E a incoerência da vida é oxigenada por incansáveis e intuitivos ataques contra o existencialismo rançoso. O local-síntese onde somos desmembrados e reagrupados e posicionados diante de nosso anti-espelho particular. Como Um Oráculo. 

- Intervalo 2 -

Houve a era da irreversibilidade e a era das forças contrárias se aniquilando ad nauseam. Instantes depois, as ruas frágeis e precárias projetaram nosso medo contemplativo. E nossa mente evocou imagens perceptíveis de toda nossa existência e de nossas lembranças, que são a soma de incontáveis estilhaços de realidades.

É por isso que o aterrador transforma-se em cotidiano e o cotidiano atinge níveis meta-cotidiano. E depois, tudo de novo, como em uma narrativa degenerada e eterna de fragmentos possíveis de vidas aleatórias.

Arrisco dizer que permaneceria vivo para compreender como Rafael Sica obtém essa visão panorâmica do todo. Ele certamente diria que isso é o equivalente gráfico do (extra)ordinário e nada mais...

Porque nada mais precisa ser dito, ele diria.

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