TEC encontra Mathias Rosner

Durante o lançamento da Revista Picabu em Porto Alegre, no Museu do Trabalho, o grupo híbrido de neojapop Tentacle Ensemble Collective fez uma performance baseada numa HQ da Revista - Mathias Rosner. Abaixo o vídeo produzido pelo coletivo:

Lançamento da Picabu em São Paulo

Nik Neves manda notícias de SP: O lançamento, na Pop, foi massa! O dia (quase noite) impediu muita gente de aparecer. Mas dentre os que tiveram coragem de enfrentar o frio paulista para comprar e prestigiar a Picabu, estavam: Grampá, Rafael Coutinho, Eduardo Mendes, Daniel Bueno e os gêmeos.


You Bet Your Life

[TEC DOC 1]

Quando Bobby Fischer morreu, a lógica da feitiçaria morreu junto com ele. A performance “Urbanoide + Bobby Fischer” não é uma homenagem, é, antes disso, uma tentativa de perfilar o comportamento desse monstro contraditório.

No espetáculo, o coletivo ressignifica a mente matemático-urbano-industrial. Propondo assim, uma manobra onírica cuja interpretação realista desembarca no cotidiano. O tabuleiro, nesse caso, é um simulacro vantajoso.

Agora, analisando "Grain Elevator", notamos um completo descontrole catártico localizado entre o antes e o depois. É como se o não-individualismo buscasse implodir os padrões da linguagem. No contexto onde foi realizada a performance, a oferenda recusada - o livro na bandeja, materializou o sentimento de medo (ou inexistência de sede) presente na maioria.

Existem dois pontos especiais. O primeiro compreende o aspecto da perda momentânea de identidade num universo desprovido de estrutura física. O segundo pode estar vinculado ao vácuo cultural, à ausência de perspectiva e à inércia sem rumo de uma vida sem significado.

O que é bastante óbvio.

[...]

Lançamento Picabu4 em São Paulo :: Livraria Pop

Folha de São Paulo :: 22 de junho de 2009.

Após 17 anos, "Picabu" retoma HQs
Quarta edição da revista de quadrinhos autorais reúne sete artistas e tem o corpo como tema

PEDRO CIRNE - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA DE SÃO PAULO

Entre o terceiro e o quarto números passaram-se 17 anos, mas a revista independente "Picabu" (que antes se chamava "Peek-a-Boo") está de volta. E, com ela, 12 histórias em quadrinhos experimentais, daquelas que fogem do convencional. É o que o grupo Bestiário, que criou a revista, busca: "histórias em quadros" autorais.

"Quadrinho autoral é mais do que fazer uma HQ e assinar. É buscar uma linguagem tanto gráfica quanto textual que seja apenas sua", diz Carlos Ferreira, um dos criadores da revista. "É interessante essa questão de experimento. Ajuda a amadurecer o processo de leitura".
Ferreira é um dos autores que voltaram à revista depois de 17 anos, da mesma maneira que Leandro Adriano, Nik Neves e Rodrigo Rosa. Três novos integrantes, Fabiano Gummo, Moacir Martins e Rafael Sica, somaram-se ao grupo a partir desta quarta edição.
O terceiro número teria sido o último, conta Ferreira, e cada um seguiu o seu caminho. "A ideia não era ter continuidade [para a revista]. Entretanto, sentimos a necessidade de possuir um veículo de expressão autoral".

Não há um grupo que edita a revista no sentindo convencional. É escolhido um tema ("corpo", no caso desta quarta edição), e os artistas criam suas histórias a partir daí. Segundo Ferreira, há um acompanhamento do processo criativo, mas sem projeto editorial: "O que nos importa é a liberdade de expressão".

"A nossa visão é a de que o quadrinho tem mais a oferecer do que o que aparece nas HQs industriais", diz Ferreira. "A impressão que eu tenho é de que existem muitas histórias em que o importa é o desenho, e ao texto não é dada tanta atenção. Quase não há trabalhos fora daquele maniqueísmo de bem versus mal".

"Picabu" foi lançada em junho no Brasil, mas antes disso teve um lançamento internacional, no Festival Internacional Viñetas Sueltas, de Buenos Aires. "Eu tenho uma ligação forte com o grafismo argentino, e eles estão mais maduros quanto à produção de quadrinhos autorais".
Um quinto número já está em andamento -e, desta vez, não demorará tanto tempo para ser lançado, embora não haja uma data definida. "Não queremos ter uma periodicidade editorial", diz Ferreira. "Nosso processo de criação parece o de um disco. Selecionamos as histórias que queremos contar. Quando as histórias estão fechadas, vamos para o desenvolvimento da revista".

Vídeo Instalação :: 20 de junho :: 18h


TEC.
The Grain Elevator - Vídeo Instalação.
Na abertura da Feira do Livro de Canoas.
Praça da Bandeira, Sábado, 20 de Junho, 18hs.

UXE


Picabu 4. Oferenda e sacrifício. 13 de junho, 2009.

Sou UXE, Senhor. Pai, permite que assim te chame, pois, na realidade, Tu o és, como és meu criador. Formaste-me da poeira cósmica, mas, como tudo que provém de Ti, sou real e eterno.

Permite Senhor, que eu possa servir-Te nas mais humildes e desprezíveis tarefas criadas pelos teus humanos filhos. Os homens me tratam de anjo decaído, de povo traidor, de rei das trevas, de gênio do mal e de tudo o mais em que encontram palavras para exprimir o seu desprezo por mim; no entanto, nem suspeitam que nada mais sou do que o reflexo deles mesmos. Não reclamo, não me queixo porque esta é a Tua Vontade.

Sou escorraçado, sou condenado a habitar as profundezas escuras da terra e trafegar pelas sendas tortuosas da provação.

Sou invocado pela inconsciência dos homens a prejudicar o seu semelhante. Sou usado como instrumento para aniquilar aqueles que são odiados, movido pela covardia e maldade humanas sem, contudo, poder negar-me ou recorrer.

Pelo pensamento dos inconscientes, sou arrastado à exercer a descrença, a confusão e a ignomínia, pois esta é a condição que Tu me impuseste. Não reclamo, Senhor, mas fico triste por ver os teus filhos que criaste à Tua imagem e semelhança, serem envolvidos pelo turbilhão de iniqüidades que eles mesmos criam e, eu, por Tua lei inflexível, delas tenho que participar.

No entanto, Senhor, na minha infinita pequenez e miséria, como me sinto grande e feliz quando encontro nalgum coração, um oásis de amor e sou solicitado a ajudar na prestação de uma caridade.

Aceito , sem queixumes, Senhor, a lei que, na Tua infinita sabedoria e justiça, me impuseste, a de executor das consciências, mas lamento e sofro mais porque os homens até hoje, não conseguiram compreender-me.

Peço-Te, Oh, Pai infinito que lhes perdoe.

Peço-Te, não por mim, pois sei que tenho que completar o ciclo da minha provação, mas por eles, os teus humanos filhos.

Perdoa-os, e torna-os bons, porque somente através da bondade do seu coração, poderei sentir a vibração do Teu amor e a graça do Teu perdão.

FESTA DE LANÇAMENTO PICABU#4 - POA

13 de junho, 18h, Museu do Trabalho (Andradas, 270)
Entrada franca
Preço da revista no local: R$ 10

Neste sábado, 13 de junho, as 18h, a Picabu#4 será lançada em Porto Alegre numa festa no Museu do Trabalho. Pra animar a festa, além do DJ Vico Morgeinstein, haverá a performance Tentacle Ensemble Collective encontra Mathias Rosner, quando os TECs apresentarão uma ação inspirada na hq de Fabiano Gummo que abre a revista. A entrada é franca.
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Passados dezessete anos desde seu último número, está de volta a revista de quadrinhos Picabu. E ela vem cheia de novidades: a começar por seu próprio nome, que mudou de “Peek-A-Boo” (expressão inglesa usada numa brincadeira de dar sustos) para a expressão escrita agora em bom português. No visual a revista também está muito diferente, perdendo o perfil de fanzine das edições anteriores. Agora, a Picabu tem formato novo (16x23cm), capa em policromia, 96 páginas internas e impressão of-set. Mas a grande mudança está no seu time de colaboradores, que integra antigos participantes da revista – artistas que deram seus primeiros passos nos quadrinhos desde finais dos anos 80 – com a nova e impressionante geração que começou a aparecer já na virada do século 21. Assim, Carlos Ferreira (mentor original da Picabu), Leandro Adriano, Nik Neves, Moacir Martins e Rodrigo Rosa – participantes da primeira fase da revista – contam agora com o talento de Rafael Sica e Fabiano Gummo, autores dos mais delirantes e criativos quadrinhos produzidos por essas bandas em muitos anos, e formam o Grupo Bestiário. O grupo pretende não só lançar edições da Picabu, mas também desenvolver outros projetos em quadrinhos e arte.

Review Picabu 4

Review originalmente publicada no UHQ por Eduardo Nasi.
Atualmente, uma porção farta dos quadrinhistas independentes brasileiros tem a mira apontada para os leitores - querem angariá-los, seduzi-los, conquistá-los. Mesmo trabalhando à margem das editoras, esses criadores defendem e fomentam caminhos alternativos. Mas a intenção é ampliar o contingente de público de suas HQs.

O caminho é legítimo, e isso não se questiona. Até porque, com a internet, se tornou uma opção teoricamente viável.

O curioso é que, ao mesmo tempo, os quadrinhos experimentais minguaram.
Mais curioso ainda é que um dos quadrinhistas de maior sucesso do Brasil, Laerte, tenha se tornado o grande nome da experimentação na arte sequencial com as tiras que fez nos últimos anos.

Tudo isso para dizer que é a essa facção experimental que Picabu se filia.
O projeto surgiu nos anos de 1990, em Porto Alegre, então chamada de Peek-a-boo. Teve três edições, todas explorando a linguagem dos quadrinhos e usando-a como recurso para fazer histórias em comuns.

Depois do ocaso de 17 anos, o projeto é retomado com o mesmo espírito.

A revista abre com Mathias Rosner, história em que o texto de trás para frente, com palavras-chave perturbadoramente na ordem comum, revela o enredo. É um dos pontos altos.

Há outros, e são vários. Como a arte no estilo de xilogravura de Carlos Ferreira em Ondas, o mundo de cabeça para baixo de Rafael Sica em Hiato, a frustrante tensão sexual de Chuuuuááááá, a desoladora O homem sedento e a encantadora Magique (ambas com a arte pop de Nik Neves), a tragicomédia de Escândalo e a perturbadora Hongo.

Além delas, há ainda as ilustrações que fazem a transição entre as HQs - em que um artista desenha um fragmento da história do outro.

Em todas as histórias, é visível que os criadores não fazem quadrinhos por fazer - expressam o que podem, o que é autêntico, o que é verdadeiro. E, nesse campo, não há certo e errado - só a disposição do leitor em encarar a arte e o artista.

De cara, Picabu assume a contramão do mercado. Não seus autores, porém: diversos deles fazem trabalhos altamente vendáveis - até mesmo adaptações de clássicos para escolas, tão em voga.

O papel da Picabu é criar um espaço de expressão para os autores e de provocação aos leitores. Sua intenção não é vender muito - e justamente por isso tem que ser comprada.