25 de abril

25 de abril de 2001.


Os carnívoros dentes da sua boca mastigam-me com raiva, sou cortado, obliterado e macerado, sou um bolo de carne revestido com saliva. Sou posto de um lado ao outro e finalmente engolido. Parte de mim desce pelo canal de respiração, mas a maioria segue o curso natural. Atravesso a laringe e o esôfago e chego em seu estômago. Sinto o ácido jorrando das paredes, começo a ser dissolvido lentamente (mas não totalmente). Sinto que muito de mim serve como proteína para o seu corpo. Arrisco dizer que sou importante. Entretanto, acabo lembrando das partes que não foram digeridas e que aos poucos apodrecem no intestino delgado. Pedaços de outros se acumulam sobre mim, os movimentos peristálticos nos forçam a lugares ainda mais profundos. Somos sintetizados em algo maior, até que em algum momento, quando nos tornamos incômodos a você...

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